sexta-feira, 23 de março de 2012

Filantropia

Uma Loja Maçônica que não atua filantropicamente junto à sociedade não está integralmente cumprindo a tríade da Ordem. Não há Maçonaria sem filantropia! Todos nós ou melhor, todos que possuem um coração bem formado, devem sentir uma imensa angústia ao se deparar com as necessidades suportadas pelos deserdados da fortuna.

Não adianta a Loja possuir sede própria, trabalhar com uma ritualística perfeita, ter um Quadro de Obreiros numeroso e quando aparecem as oportunidades de ser útil ela tornar-se infiel.

Todo socorro recusado é a manifestação do perjúrio, a amizade é mais que um sentimento é um dever que se transforma em virtude.

A tão proclamada “Fraternidade Maçônica”, não é apenas um sentimento entre Irmãos, ela deve ultrapassar as paredes do Templo e alcançar a Humanidade. É neste ponto em que há o encontro da “fraternidade” com a “filantropia”.

A etimologia da palavra filantropia deriva suas raízes do grego f???? (o filos), e ?????p?? (antropos), que se traduzem respectivamente como "amor" (o "amante de", "amigo de"), e "homem" (o "ser humano"), assim filantropia significa "amor à humanidade".

Portanto, nada mais consonante que uma Instituição que trabalha para a felicidade da humanidade praticar a filantropia.

Lógico que cada Loja dentro de sua realidade. Comecemos por jamais negar o pedido de encaminhamento do resultado do Tronco de Solidariedade a uma Loja co-irmã que está em campanha de filantropia; o valor arrecadado é o que menos importa e como bom mineiro eu recordo aos Irmãos um ditado da roça:
“De grão em grão a galinha enche o papo!”.

Outra oportunidade muito interessante é a união de Lojas de uma mesma região em prol de determinada campanha ou instituição, a somatória dos Irmãos produz um resultado financeiro maior e gera benefícios à Sublime Ordem, pois há um estreitamento de laços entre os Irmãos e uma projeção da Maçonaria junto à sociedade.

Eu vou dar um exemplo pratico: neste fim de semana, estive em Araxá - MG para o Jubileu de Prata da Loja Maçônica Luz e Progresso, com apenas um ano de atividade, a Loja se dedicava ao apoio necessário a “Casa do Menor Júlio Dário” que atendia 130 alunos entre 07 e 16 anos que recebiam reforço escolar, aulas de esportes, alimentação, educação cidadã, assistência odontológica e médica; os alunos entre 14 e 16 recebiam cursos profissionalizantes e aos 16 anos eram encaminhados ao mercado de trabalho.

Com o advento do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) houve uma adequação e a Casa se transformou no Centro de Formação Profissional Júlio Dário que hoje conta com dois laboratórios de informática, ministra gratuitamente 99 cursos EAD, tem sala de videoconferência para 25 pessoas, laboratórios de construção civil equipadas para cursos de pedreiro de alvenaria e pedreiro de acabamento, bombeiro hidráulico, eletricista e armador (vide fotos). Isto tudo tendo à frente os Irmãos da Loja, que não só se empenharam nesta atividade voltada para a sociedade civil, como também em prol da comunidade maçônica, pois construíram um belíssimo Templo.

Com certeza os Irmãos da Luz e Progresso tiveram muitos percalços, mas se perguntarmos a eles se valeu a pena, com certeza eles responderão com os versos do poeta português Fernando Pessoa:

“Valeu a pena? Tudo vale a pena
se a alma não é pequena.
Quem quer passar além do Bojador
Tem que passar além da dor.
Deus ao mar o perigo e o abismo deu,
Mas nele é que espelhou o céu.”

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