sábado, 17 de março de 2012

Endoenças

Em toda Quinta-feira Santa,  os Cavaleiros Rosa Cruzes celebram a ENDOENÇAS.

Um Cavaleiro Rosa Cruz é um Maçom que passou pela iniciação do Grau 18 de alguns Ritos Maçônicos. Este grau é ministrado juntamente com os graus 15,16 e 17 nos Capítulos Rosa Cruzes e a mensagem do Grau de Cavaleiro Rosa Cruz é que devemos trabalhar pelo triunfo da Luz sobre as Trevas e que somente pela entrega ao Irmão é que alcançaremos a libertação. 

Um Cavaleiro Rosa Cruz é o mais humilde dos Obreiros, lembrando que não devemos confundir humildade com servidão. 

Humildade maçônica é a qualidade daqueles que trabalham pela Ordem sem tentarem se projetar sobre os outros e nem mostrar-se superior a alguém. Inegavelmente na criação dos Graus Capitulares foram usados muitos preceitos cristãos, porém nada dogmático ou litúrgico (celebração religiosa pré-definida). 

A ritualística está embasada em valores morais, éticos e fraternos comuns à todas as religiões e sociedades “do Bem”. 

Entre os muitos afazeres desse Cavaleiro há o cumprimento de um belíssimo juramento e a manutenção de uma antiga tradição. O juramento não posso revelar, mas vou transcrever o juramento feito por Dom Nuno Álvares Pereira em 1373, quando de sua Investidura como Cavaleiro diante da Rainha de Portugal. Espero que todos possam compreender o quanto é importante trabalharmos em prol da Luz.

“Toma esta espada, Cavaleiro.
Exerce com ela o vigor da justiça
e derruba o poder da injustiça.
Defende com ela a Igreja de Deus e os seus fiéis;
dispersa os inimigos do nome cristão;
protege as viúvas e os órfãos.
O que estiver abatido, levanta-o.
O que tiveres levantado, conserva-o.
O que estiver conforme a ordem, fortalece-o.
É assim que, ufano e glorioso somente com o triunfo da virtude,
chegarás ao reino celeste,
onde reinarás eternamente com o Salvador do mundo"
Após o que o Oficiante Cavaleiro dizia :
"Senhor, é para que a justiça tenha um apoio neste mundo
e o furor dos maus um freio
que permitiste aos homens,
por uma disposição particular,
o uso da espada"

Lógico que hoje em dia não devemos “pegar em espadas”, temos muitos outros instrumentos para defender a liberdade religiosa, as viúvas, os órfãos e fazer triunfar a Virtude. 

A tradição que mencionei é a obrigatoriedade dos Cavaleiros Rosa Cruzes se encontrarem na noite que antecede à Sexta-feira da Paixão; reza esta tradição que os antigos Irmãos após sua investidura como Cav.’. R+C saíam pelo mundo cumprindo seu juramento e que na primeira Lua Cheia após o Equinócio da Primavera (hemisfério norte), eles se encontrariam no local da Investidura. A idéia era rever os Irmãos, compartilhar experiências, trazer notícias de Irmãos adoentados ou que tenham falecidos. 

Há toda uma ritualística muito bonita e extremamente filosófica que resulta em seus participante um enlevo moral e espiritual. A primeira e a segunda parte dos trabalhos acontecem em Templo e a parte final se dá em um ambiente de refeição. Generalizamos dizendo que nesta noite os Cavaleiros Rosa-Cruzes se reúnem em Sessão de Endoenças. 

A palavra “endoenças” vem do latim indulgentia que fora a aplicação do conceito religioso cristão (Graça concedida pela Igreja, de que resulta a remissão total ou parcial das penas dos pecados), para nós deve ser compreendida como “facilidade em perdoar as faltas dos outros”. 

Ao final dos trabalhos temos um ágape cujo nome varia muito de Rito, Potência e Oriente e os mais comuns são: Ceia de Cavaleiros; Reunião de Endoenças; Ceia dos Cavaleiros Rosa Cruzes, Sessão de Mesa, Ágape Fraternal e Refeição Mística. 

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