domingo, 26 de fevereiro de 2012

Elemento Água

Não é privilégio nenhum da Maçonaria o uso do elemento água em sua simbologia. Na verdade devemos deixar bem claro que a Maçonaria Especulativa praticada em mais de 1000 formas ritualísticas, buscou nas religiões, nas ciências exatas, nas filosofias, em fim, buscou no mundo físico e metafísico, elementos que codificados em símbolos pudessem perpetuar uma instrução. 

A água basicamente serve para duas coisas nutrição e limpeza. A limpeza que ultrapassa os aspectos materiais é chamada de purificação. Purificar é retirar nódoas, apresentar-se perante o imaterial (puro) com o menos possível de impurezas. Na Maçonaria Simbólica a água por suas três características físicas (incolor, inodoro, insípida) representa a vida maçônica. 

É assim que dever ser o Maçom, ele precisa ser leal e transparente (incolor), não pode espalhar pelos quatro cantos seus feitos, as ações devem ser executadas sem “perfumaria” (inodoro). Sua presença deve ser discreta, não deve se destacar pelas cores e brilhos das comendas (insípido). Visualizar um curso de água nos permeia com grandes reflexões. Todos nós nascemos “pequenos”, somos apenas uma pequena mina d’agua, durante nosso curso/vida é que nos tornamos maior, e o “crescimento” só acontece com nosso contato com os que estão a “nossa margem”. Os afluentes são as “incorporações de conhecimento” e se conseguirmos chegar à foz (Delta), nos incorporamos ao grande oceano da vida. 

Durante a existência, se estivermos como um rio cheio de pedras devemos aprender a contornar os obstáculos, se a quietude nos tornar um lago, devemos aproveitar para cuidar do nosso interior, e que nosso “espelho d’agua” reflita os céus e as coisas do alto. Mas há também as corredeiras e grandes quedas, essas são as mais importantes. Fragmentam-nos e às vezes nos colocam como pequenas gotas de chuva. Mas é justamente neste momento que temos contato mais íntimo com o elemento ar (as coisas espirituais). “Oxigenados”, lá no final da queda, nos reagrupamos e seguimos o curso da história. Empédocles foi um filósofo grego que disse que a água era um dos quatro elementos presentes na natureza, juntamente com o fogo, terra e ar, porém era tratada como a substância básica do Universo. 

O nosso próprio planeta, não deveria chamar-se Terra, mas Planeta Água, somos um planeta azul e não marrom. A molécula de água é formada por dois elementos, mas para estabilizar esta dualidade, necessário que estejam presentes três átomos. É interessante pensar que dois gases (espíritos/etéreo) se juntam para formar um líquido (matéria). Os cristãos, os muçulmanos, os hindus, os islamitas, os xintoístas e muitos outros segmentos, praticam o batismo/imersão/lavagem com a água, simbolizando o nascimento de um novo ser, purificado com remissão dos pecados/erros. 

O Maçom ao ter suas mãos purificadas deve sempre se lembrar que elas jamais deveram ser instrumentos de ações desonestas, em suas mãos estão as digitais, sua assinatura única e universal. Toda e qualquer ação levará sua impressão. A ciência proclama que há três estados para a água: sólido, líquido e gasoso, hoje descobri um quarto estado que tem características dos outros três. É sólido, por ser tátil, tem peso e arestas que arranham e machucam. É liquido por escorrer e passa a sensação que está causando uma grande erosão. É gasoso porque evapora e ocupa rapidamente o ambiente, nos deixando sem ar. Este estado da água chama-se lágrima. 

É o primeiro natal que passo sem minha esposa, preferi a solidão da casa a compartilhar um semblante triste. A morte não é ruim para quem vai é apenas péssima para quem fica. Há muitos anos atrás em um formulário de admissão respondi que acreditava na existência de um Princípio Criador e na imortalidade da alma. Na noite de 24 para 25, fiz minhas orações em prol dos Irmãos, acendi uma vela e escrevi várias cartas para ela, estão sobre a mesa. No Livro da Lei, em Salmo 56.8 lemos: “Contaste os meus passos quando sofri perseguições; recolheste as minhas lágrimas no teu odre: não estão elas inscritas no teu livro?” Que Assim Seja!


Colaboração: Sérgio Quirino Guimarães

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