quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

Agenda de Trabalho

Na minha vivência maçônica tenho presenciado que o “Tendão de Aquiles” dos trabalhos de uma Oficina, está na falta de uma agenda previamente estabelecida.

A maioria das Sessões são abertas sem uma pauta, isto gera duas situações opostas e que resultam no mesmo fim: que é o desanimo dos Obreiros para com a Loja e para com a Instituição.

A primeira situação é quando nada acontece, ou seja: na Ordem do Dia nada consta, Quarto-de-Hora-de-Estudo, reina silêncio absoluto; na Palavra a Bem da Ordem e do Augusto Quadro em Particular um daqueles Irmãos que nunca vêm às reuniões, mas quando presente pede a palavra (pois no fundo quer que seu nome conste em ata para os anais da história).

Aí o eloquente desdobra-se em elogios a um outro Irmão agradecendo pela companhia etilíca do fim de semana, isto quando não fala da cor da camisa de certo time de futebol, em resumo: a reunião nada mais foi do que ler o Ritual, levantar/sentar, sentar/levantar e umas batidas aqui e acolá.

A segunda situação é quando na Ordem do Dia SURGE por exemplo a idéía de se comemorar o aniversário da Loja: 20 minutos para acertar o dia, 20 minutos para acertar o local, 20 minutos para decidir se será churrasco ou feijoada, quando tudo está resolvido um Irmão lembra do sítio de um Irmão que não está presente e que faz um Surubim ao Molho Pardo* que é divino e voltamos à estaca zero.

Depois disso tudo, no Quarto-de-Hora–de-Estudo, um Irmão da Coluna do Sul apresenta um trabalho sobre as Correlações da latitude e longitude do globo terrestre, tendo como referêncial as Colunas Zodiacais de um Templo Maçônico e em seguida com a palavra na Coluna do Norte um Irmão Aprendiz apresenta um trabalho visando aumento de salário e do Oriente escutamos uma Prancha de Arquitetura bem embasada em um best seller de Auto-ajuda.
Realmente precisamos de toda a ajuda possível! E se alguém falar que é Meia noite em ponto, estará mentindo, provavelmente será meia-noite e meia! Mas isto só acontece por uma falta de ordenação dos trabalhos; o Venerável Mestre não é o gerente da Loja, ele é o administrador, há uma diferença sutil entre estas duas funções: o gerente recebe as metas e diretrizes e as faz cumprir, já o administrador dentro do contexto do grupo desenvolve metas e diretrizes que promovam o crescimento da instituição e manutenção da integridade dos membros.

Meus Irmãos, 95% das atividades maçônicas são rotineiras e cíclicas, durante um ano toda Loja terá Sessões Magnas, Celebrações de Equinócios e Solstícios, datas a serem comemoradas (Aniversário da Loja, Dia das Mães e dos Pais, Dia do Maçom), datas Cívicas (Independência do Brasil, Proclamação da República, Dia da Bandeira, etc),

Sessões de Instruções e está no Ritual que toda reunião terá uma Ordem do Dia e não havendo Iniciação, Elevação ou Exaltação temos que nos dedicar a pelo menos 15 minutos de estudo (Quarto-de-hora-de-estudo). Como eu tenho pavor daqueles que apenas apontam defeitos, tenho uma sugestão aos novos Veneráveis e mesmos aos outros Irmãos que passam pela desagradável situação que escrevi acima.

Em anexo, estou enviando o calendário das atividades da ARLS Presidente Roosevelt que programei para o próximo semestre; é uma planilha em excel que caso o Irmão ache interessante ele pode fazer as devidas adequações ao dia de sua reunião ou mesmo inclusões e exclusões de atividades.

O Irmão Cláudio Meireles da Silveira, Venerável Mestre da ARLS Reconciliação e Justiça 146, foi muito feliz em expressar um sentimento comum entre os Irmãos: “Quero dizer-lhe que agora começa uma nova e complexa etapa de nossa vida. Tenho dito a vários irmãos que tomam posse como Veneráveis de suas Lojas que nosso grande desafio é manter os Irmãos nas Lojas.

Temos perdido muita gente por culpa exclusiva da má qualidade dos trabalhos. As reuniões cada vez mais se tornam enfadonhas e chatas e os Irmãos precisam mais do que “batidas de malhete” para segurá-los nas Lojas.

A grande Arte que precisamos aprender é a de manter viva a chama da iniciação em cada um. Fazer com que as vaidades sejam deixadas de lado.

A política é necessária em todos os campos e na Maçonaria não é diferente, mas não podemos deixar que ela seja o centro das atenções. Agora é hora de deixar morrer o casuísmo, a lei de Gerson e tantas outras coisas profanas que tem entrado disfarçadas na Sublime Ordem.

Da forma como caminhamos, creio que em pouco tempo, senão dermos uma guinada, teremos como em outro estado (não me lembro qual, mas você deve se lembrar do fato), uma Loja sobre um carro alegórico desfilando no carnaval de BH. Pois é assim que vejo o nosso grande desafio. Retornar as origens que nunca deveriam ter mudado. Retornar as nossas tradições e costumes. O mundo evolui e a Maçonaria precisa evoluir, mas com serenidade e cuidado”

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